Obesidade deixa diabetes fora de controle no país

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A última pesquisa “O mapa da saúde do brasileiro”, do Ministério da Saúde, mostrou que os brasileiros estão comendo mais. Mas isso não significa que tenham uma alimentação saudável. Tanto que 43% estão acima do peso e 13% são obesos. Resultado: o aumento do número de casos de diabetes do tipo 2, associado à obesidade. Até 2025 serão 380 milhões de diabéticos no mundo. E a situação vai piorar no Brasil, onde 7% da população sofrem da doença. Para cada brasileiro diagnosticado, há outro que ignora ser diabético. Da metade que sabe ter o mal, só metade vai ao médico.

A doença segue num ritmo acelerado. Surge um caso novo a cada cinco segundos no mundo. De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), só no Brasil são mais de 500 casos novos por dia. Estudo nacional mostrou que 75% dos diabéticos tipo 2 estão acima do peso. E apesar do desenvolvimento de novas drogas e tratamentos cirúrgicos, médicos afirmam que é mais fácil e barato adotar hábitos saudáveis: adotar uma dieta balanceada e praticar atividade física.

Isso porque no diabetes é imprescindível o controle da glicemia, da pressão arterial e do colesterol para não sofrer complicações graves no coração, nos rins e nos olhos. No Brasil a situação é crítica porque a maioria dos pacientes não recebe tratamento. Aqui ainda é alto o número de amputações por causa do diabetes.

Os dados comprovam que a diabetes é negligenciada entre brasileiros. Numa pesquisa em oito cidades com 2.233 pacientes ambulatoriais (60% mulheres), com idade de 59 anos e doentes há nove anos, 70% não estavam com a pressão controlada; 50% não fizeram exame oftalmológico e 60% nunca passaram por exames dos rins ou dos pés, regiões muito afetadas pela doença. Cerca de 80% tinham colesterol ruim (LDL) acima dos limites e 50% viviam sem controle da glicemia.

– O fornecimento de medicamento, principalmente insumos como seringas e aparelhos de monitorização da glicemia com as fitas, é irregular no Brasil. Esperamos que as ações do Ministério da Saúde sejam acompanhadas pelas secretarias estaduais e municipais – diz a endocrinologista Marília de Brito Gomes, presidente da SBD.

Por: Antônio Marinho, O Globo

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