Mulheres que comem melhor têm mais chances de ter filhos homens

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Quer ter um filho homem? Pode começar a atacar a geladeira. Um estudo britânico revela que mulheres que comem mais e melhor têm mais chances de terem meninos.

O sexo do bebê é determinado pelo macho, que é o detentor do cromossomo Y. Apesar disso, os cientistas já sabem há algum tempo que a mulher tem alguma influência sobre o sexo do bebê ao selecionar, de maneira ainda desconhecida, o embrião.

Segundo os pesquisadores das universidades de Exeter e Oxford, no Reuno Unido, a evolução mostra que em épocas de bonança é mais vantajoso para uma espécie ter filhos machos. Isso porque tradicionalmente os machos são capazes de se reproduzir mais e têm maiores quantidades de descendentes. Em tempos de “vacas magras”, no entanto, é melhor ter filhas, porque elas se arriscam menos e têm maior sobrevivência. Ou seja, com um macho os ganhos podem ser maiores, mas com as fêmeas eles são mais garantidos.

“Se a mãe tem muitos recursos pode fazer sentido investir em um filho porque ele tem mais chances de produzir muitos netos. Uma filha, no entanto, é uma aposta mais segura”, explica a autora principal do estudo, Fiona Matthews.

Esse fato foi verificado em muitas espécies de invertebrados e também em vacas, cavalos e cervos. Verificar isso na espécie humana, no entanto, é bastante complicado, porque nossas interações sociais são para lá de complexas. Para tentar um vislumbre, no entanto, os pesquisadores analisaram 740 mulheres que mantiveram diários de seu consumo de alimentos antes de ficarem grávidas. E descobriram que a chance de ter filhos era maior naquelas que se alimentaram melhor na época em que o bebê foi concebido.

Entre as que tiveram o maior consumo de energia pela alimentação nesse período, 56% tiveram filhos homens. Nas que consumiram em média menos, 55% tiveram meninas.

Os resultados, de acordo com os cientistas, podem explicar a queda no número de nascimentos de meninos em países industrializados como Estados Unidos, Inglaterra e Canadá. Para Matthews, isso se explica por que as mulheres nesses países estão cada vez mais fazendo dietas “light”, reduzindo o número de calorias e também quase sempre deixando o café-da-manhã de lado.

O mecanismo pelo qual a mulher selecionaria o filho homem ainda não é bem compreendido. Os pesquisadores acreditam que níveis altos de glicose podem estimular o desenvolvimento de embriões do sexo masculino enquanto desestimula os do feminino.

Para o médico brasileiro Cláudio Bonduki, esses resultados são ainda muito iniciais para sinalizarem a necessidade de alguma mudança de comportamento em quem quer ter filhos de um sexo ou de outro. “É um trabalho interessante, mas até onde sabemos não há como ativamente se influenciar o sexo do bebê. Precisamos ver estudos posteriores para ver onde isso vai dar”, afirmou o ginecologista e obstetra ao G1.

Fonte: G1