Alzheimer: primeiro medicamento em forma de adesivo chega ao mercado brasileiro

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Maria Vianna – especial para O Globo Online*

SÃO PAULO – A partir deste mês, os portadores de Alzheimer que não se acostumaram aos remédios tradicionais têm nova opção de medicação. O Exelon Patch, que tem o mesmo princípio ativo do Exelon (rivastigmina), um dos remédios de controle da demência mais usados no Brasil, agora vem em forma de adesivo para facilitar a adesão ao tratamento dos doentes que não podem ou não conseguem mais engolir comprimidos.

O adesivo deve ser colocado na pele uma vez ao dia, de preferência após o banho. O medicamento tem liberação prolongada e é absorvido diretamente pela corrente sanguínea, por isso seus efeitos colaterais, em especial as náuseas e vômitos, são até três vezes menores se comparados ao Exelon tradicional. O medicamento é feito pelo laboratório Novartis e é indicado para idosos com Alzheimer leve a moderado. Uma caixa do Exelon Patch custa, em média, R$ 300, o mesmo valor que as cápsulas. Por enquanto, não há previsão de que o adesivo seja distribuído pelo Sistema Único de Saúde.

– Com a medicação em adesivo, o cuidador tem a certeza de que o paciente está tomando o remédio corretamente. Além disso, possibilita que o idoso suporte doses mais altas, já que os efeitos colaterais são menores. Mas é importante lembrar que nenhum tratamento cura Alzheimer. O medicamento apenas retarda a evolução da doença – explica o geriatra Paulo Renato Canineu, vice-presidente da Associação Brasileira de Alzheimer.
Mal de Alzheimer

Uma das formas de demência mais comuns, o Mal de Alzheimer atinge 7% da população brasileira. A doença costuma se manifestar a partir dos 60 anos de idade. Após os 90 anos, 50% dos idosos apresentam o distúrbio, que é caracterizado pela perda progressiva da memória e de outras funções cognitivas. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que até 2020, serão 40 milhões de portadores da doença em todo mundo, a maioria em países em desenvolvimento como Brasil, Índia, China e Rússia.

* Maria Vianna viajou a convite do laboratório Novartis